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Escrevo porque sinto vontade. Simples assim.
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quinta-feira

Não aprendi a ser delicada.
Por baixo da saia sempre precisei de short pra assegurar meu sexo.
Hoje, vejo clara e definida a personalidade forte com que atravessei as pontes do tempo.
O que será de mim com o passar da areia? Qual mulher estará ao seu lado no decorrer dos anos?
Vejo-me chegando lá, enrugada e vaidosa, ainda com alguns planos, algumas metas.
Te vejo lá também, mas não imagino seu semblante... Óculos? Livros?
Por onde andará teus amigos? Xadrez? Buraco? Netos?
Teu cabelo aos poucos cairão, os meus tenderão ao branco, cinza, não sei.
Os seios flácidos serão testemunhas e cúmplices das aventuras da nova idade.
Antiga idade. Velha infância. Atual velhice.
Te Amarei, te cuidarei, porei tua comida e tirarei a mesa posta.
Veremos mais um filme, quem sabe, enfim, o milionéssimo?
Tomaremos teu café junto com o remédio pra pressão.
Oraremos.
Dormiremos entrelaçados entre roncos e flatos.
No domingo, todos sentar-se-ão à mesa.
Os quatro e os netos.
A mais velha, grávida, terá o corpo pintado, comemorando o nascimento de mais um de nós.
Eu te ouço, teus pés arrastando no chão não disfarça.
"Era isso que tu sempre sonhou?"
Uma lágrima cairá dos meus olhos, e num beijo, delicado, te direi: Sim.

Olha isso, ai de mim.
Controversa e firme.
Serei eu no final da vida delicada enfim, neném?

Se em três meses já me destes calmaria de anos, quiçá nas bodas de prata, ouro, marfim, nã nã nã.
Eu sou sua meNina, viu?

S2

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