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Escrevo porque sinto vontade. Simples assim.

sábado

Bem aqui

Dentro de mim,
Eis ai onde te protejo, te guardo.
Cotidiano e rotineiro prazer de visualizar cada parte do teu corpo na tentativa vã de exorcizar a saudade. Demônio devastador, que em processo corrosivo e gradativo, condena compulsivamente meu peito à tristeza, ao choro da tua ausência. Perpétua lembrança, martiriza meus lábios, meus seios, meu nariz. Enterro cada pensamento na caixa profana dos deletérios.
O dia não passa.

Dentro de mim,
É assim que te possuo.
Completa da tua carne, preenchida do teu membro. Na dança repetitiva e ritmada liberto o monstro aprisionado entre gemidos e suor. Arranho-te, mordo-te, grito. Possuída pelos teus braços, puxa-me pelos cabelos e dilacera o meu corpo, que já vermelho dos teus tapas, queima em luxúria e implode, enfim, de desejo. Desejo de possuir-te de novo, uma vez mais e novamente... dentro de mim. Doce segredo partilhado entre as paredes brancas, teu encaixe, teu sabor. E por que não o teu olhar? Faminto e insano, se entrega a mim. Me devora, me almoça, me janta, me faz. Me prova, me tateia, me come, me engole, me digere.

Dessa maneira te carrego,
Partícula por partícula, lágrima por lágrima.
Misturados entre sentimentos e biologia, somos um. Do teu DNA será gerado o ser que iluminará nossos dias. Multiplicarei teu gene, terei teu sangue, tuas células. Que impostas pelo instinto primário se unirão, se agruparão... dentro de mim.

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